Powered By Blogger

Participe da Mais nova onda do Skoob

quinta-feira, 8 de março de 2012

Menina



Vai menina, pega no lápis e discorre
Fala sobre a tua vida breve
Qualquer palavra pra mim já serve
E enquanto houver tempo CORRE!
Corre porque o relógio não perdoa
Ele jamais devolverá o teu passado
Ele não trará as pessoas para o teu lado
Vai que o ponteiro das horas voa!

Menina, voa, mas voa bem lentamente
Observe todo o caminho que percorrer
Para que um dia não venha a se esquecer
Tudo o que te impulsionou cada vez mas para frente
Menina, agora silencia e sente

...

Sente que o sonho não te abandonou?
Sente que ele sempre te desejou?
Não desista a agora, tente!
Vai menina, pega a tua borracha
E faz dessas palavras um simples borrão
Diga que nada disso faz sentido
Que eu discuto tudo isso contigo
Sei muito além da tua imaginação
Sou eu que te confesso ao pé do ouvido
Que sou eu que mando e não tua razão
Quantas vezes será necessário dar só mais um empurrão?
Escute o que eu digo, porque de você eu na da duvido

Menina, menininha minha
do silêncio nasceu minha rima
Que não poderia ter sido mais bela
Melhor do que você não tem
E olha que de sentimentos
Com certeza eu entendo bem!


Ass: Coração de menina

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ao meu menino

   

    Querido eu tive um sonho, foi o despertar mais lindo de todos os tempos. Sonhei que caminhávamos pela orla da praia, descalços conversando sobre nossos eternos planos para o futuro, relembrando nossos dias de luta, nossas derrotas para o orgulho, bem como a superação dos nossos medos.
    Na realidade, nossas conversas sempre me fizeram enxergar as situações por um outro ângulo que não era o meu, o que me fazia tomar atitudes pensadas e conscientes. Então, você segurou a minha mão e com a sinceridade que eu jamais tinha sentido antes, me perguntou qual era a sensação desse momento, com certeza era algo diferente que por mais que eu quisesse expressar em palavras não conseguiria. Minha respiração parou por segundos, o coração acelerado queria te chamar de louco, olhei para os lados procurando alguém que pudesse repreender tal atitude ao nos ver passeando de mãos dadas; porém ninguém disse nada. Senti meus olhos lacrimejando como se tudo pelo que passei nos últimos 19 anos tenham feito parte do caminho que me levou a tal momento, no lugar correto, na hora exata com a pessoa certa.
    Confesso que às vezes não sei o que dizer, que palavras seriam corretas para o instante em si, mas de uma coisa eu tenho certeza: você não está aqui por uma razão, apareceu sim em uma estação e não foi embora ao final dela, só me resta assumir que você é o homem que eu pedia em minhas orações. Não que não seja especial saber do seu passado, ou das pessoas que passaram pela sua vida; o que realmente lhe torna especial é o que você se tornou pela convivência com essas pessoas, são escolhas que te trouxeram até onde você se encontra através do que você extraiu, através da sua jornada. Tentei ir embora e não consegui, você também insistiu em algo que não era para ser seu.
    Ajoelhados diante de Deus pedimos em oração orientação de onde começar, se devemos continuar, o que é correto e se não for, que nos mostre o caminho. Esperamos a resposta e não fomos capazes de encontrar porque esquecemos de olhar para dentro de nós.
Durante todo esse tempo esteve claro! Foi nos ensinada a primeira lição, a paciência, esperamos, desde que nascemos encontrar a pessoa que  Deus nos preparou, mas não temos calma e saímos procurando, quebramos a cara, nos decepcionamos, colocamos nossas expectativas nas pessoas, e essa é a maior besteira que fazemos, porque os humanos erram por não terem paciência de analisar a situação, além de não sermos capazes de enxergar com os olhos e coração de Deus.
    A segunda lição nos é apresentada quando nossos pais começam a nos dar conselhos, no começo nos tornamos rebeldes insensatos, querendo controlar a própria vida, achando que somos capazes de decidir o rumo que nossa vida irá tomar, estamos errados e necessitamos saber ouvir o que os sábios e experientes tem a nos contar sobre suas vivências e poder extrair o máximo de conhecimento possível, nesse momento aprendemos sobre humildade.
    A terceira lição não é bem uma lição, mas é extraída através da convivência; passamos a conhecer as fragilidades do nosso próximo, suas qualidades e suas particularidades, começamos a admirá-lo por uma razão: por ele ser exatamente algo que você não é, mesmo com tantos pontos a serem melhorados. Essa admiração traz consigo o respeito.
    Ao final dessa jornada, vou ser bem direta, vem o perdão. Perdoar é um exercício para a própria mente e com certeza é um dom que não vem dos seres humanos, é algo sobrenatural, de origem divina. Perdoar não é para os fortes, nem para os fracos, o perdão, na realidade é para aqueles que tem a humildade de ouvir, a paciência de reconhecer uma resposta de Deus, o respeito por reconhecer as fragilidades do próximo para poder enxergar nele as suas mesmas fragilidades, e a simples admiração que foi adquirida através da convivência, da amizade, do companheirismo. O perdão não vem de nós, porque se viesse, as pessoas jogariam na cara uma das outras tudo o que se passou, e as culpariam por tudo. Ao perdoar alguém você transfere toda a culpa dessa pessoa para a sua responsabilidade, é uma vida que você carrega consigo.
    Por esses motivos, meu menino, eu posso dizer que tudo o que eu vivi nos poucos anos que tenho de vida, me trouxeram até você. Agradeço a Deus por cada dia que ele me disponibilizou para fazer do propósito dele motivo de orgulho. E muito além disso, por ele ter me dado a capacidade e a chance de amar você.


Ludimila do Nascimento Bassan  

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Uma última chance a nós

   

    Hoje lhe escrevo essa carta como se fosse ontem, seja lá onde você estiver sei que vai compreender o que eu digo. Muitos anos se passaram e eu estou aqui deitada na rede bordada de botões de rosa na sacada da nossa casa à beira mar. As crianças já não passam correndo pela janela como de costume, não disputam pipa, não brincam de pique esconde no nosso jardim; pra falar a verdade ver uma criança se tornou uma coisa muito rara.
    A geladeira já não anda lotada de cerveja há uns bons anos, não que eu tenha esquecido o gosto que ela tem, mas ouvir o "tizz" que ela ecoa ao ser aberta deixou de ter graça quando você foi embora. Às vezes tenho a impressão de ouvir a sua risada pelos corredores da cozinha, existem momentos que o som parece tão perto que posso sentir o seu sussurro ao pé do ouvido junto com a sua respiração acelerada por estar ao meu lado.
    Parece que longe de mim você se livrou de um peso, o peso da culpa que carregou por tanto tempo. Já não o vejo há dias e parece que está tudo bem no seu mundo que um dia deixou de ser nosso. Ao contrário do que você previa, não foi possível cumprir com a minha promessa, a de ser feliz e tocar a minha vida. Não vou negar que eu tentei, como posso dizer que não deu certo se eu não tentar?
     Mas os meus sonhos ainda permanecem, não sei com que força ou intensidade, mas eu sinto. Sou como uma arara que encontra um companheiro uma vez na vida e se por algum motivo eles se perdem um do outro ela fica solitária porque só ama uma vez. E ponto final! Não tem conversa.
    Uma vez me disseram que permitir que um amor acabe é o maior desperdício que o homem já viu. Não quero que ele acabe, porque eu sei, dentro de mim que ele é o único que vai existir, porque ele foi entrega, do começo ao fim. Foi uma pena você ter entregado o jogo e permitido que você se fosse, sendo que eu lutei para que ficasse, com todas as armas que eu tinha, com o máximo de dedicação, com o total cuidado, com zelo, com respeito.
     E hoje, depois de tanto tempo, fiel aos meus princípios, em silêncio, mais uma vez te amei.



Alice