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sexta-feira, 25 de março de 2011

Orgulhonismo

"E quando vejo,
a vida espera mais de mim
mais além, mais de mim
O eterno aprendizado é o próprio fim
Já nem sei se tem fim
De elástica, minha alma dá de si
Mais além, mais de mim
Cada ano a vida pede mais de mim
mais de nós, mais além"
Eu e a vida  -   Jorge Vercillo


       Não sei até que ponto minhas atitudes foram corretas e tão pouco poderei afirmar, com total certeza, que renunciar a um sentimento tenha sido a melhor escolha a se fazer. Recentemente estive no centro da cidade para resolver alguns assuntos de trabalho e em uma esquina qualquer deparei-me com um grupo de mulheres, elas usavam umas saias coloridas e seus cabelos eram cheios de cachos. Uma delas veio em minha direção e pediu para ler a minha sorte contida na palma das minhas mãos, para ser sincera, não acredito muito nessas superstições, mas uma coisa que ela me disse me deixou um pouco perturbada, não pelo fato de ter sido pronunciada por ela, mas sim, por ser algo que eu já tinha conhecimento e estava trabalhando para melhorar: "Nossa, como é orgulhosa".
     Talvez o orgulho seja uma das minhas maiores dificuldades. Quando eu estou errada e consigo enxergar isso, sou a primeira a desejar que a situação seja resolvida em uma conversa, mas se todos os fatos apontam a favor do que eu acredito como verdade, posso me afastar, tornar-me uma pessoa fria, distante e introspectiva. Como diria o sábio William Shakespeare: "Quem é orgulhoso a si próprio devora.". Sei que perdi muitas oportunidades, deixei de conhecer pessoas maravilhosas, neguei-me uma possível história de amor, afastei de mim uma das poucas oportunidades de dedicar-me a alguém por completo e ter a certeza que me dedicariam a vida. 
     Com o passar dos dias, percebo que a minha vida me cobra as atitudes que eu deveria ter tido em momentos que o orgulho estava pedindo para ser evitado. Não adianta eu ficar me flagelando ou culpar a vida ou as pessoas por algo que depende somente de mim para mudar. Cada dia é um passo e de nada valerá dar um passo maior que a perna. Mas sei que posso me esforçar mais e dedicar-me à mudança, mesmo porque a vida me prepara e me cobra, me coloca à prova os conhecimentos que a experiência nos trouxe, sou a própria vida, sou a existência, sou a mudança que eu quero ver.


Ludimila do Nascimento Bassan