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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fragmentos de uma verdade obscura



Há uma imensa naturalidade nessas tuas palavras
Na realidade dizem mais aquelas que permanecem caladas
O seu desprezo já não me causa nada
Além da necessidade de olhar-te feito espelho
Ignorando um rosto que transfigura o mar vermelho
Para enfim calçar um par de tênis e iniciar a caminhada

E a cada passo posso enxergar uma lembrança
e a cada espaço aumenta um pouco mais a esperança
E ali refletido sobre uma pilha de cacos de vidro
Encontro fragmentos de quem outrora foi
No mais sincero e saudoso abraço, amigo
Palavra cujo significado só é compreendido depois.

Na realidade essa fuga possui um propósito:
o de livrar-me desse seu coração inóspito
para que eu permaneça em total reclusa e distância
Pode ser que demore ou que eu jamais volte
Mas eu espero que tenhas a coragem de compreender
E esqueça essa tua chaga, a quem você chama de bandida
e que por diversas vezes esteve somente à espera
para fazer, de fato,  parte disso que chamam de tua vida

Mas acalme-se não há motivo para agir em ira
Somente o tempo carregará consigo as verdades das quais precisa
Não sobreponha a razão ao que se sente
porque essas duas palavras são interdependentes
E ao menos lembre-se:
Às vezes torna-se necessário soltar
Para poder enfim abraçar e reabraçar novamente

Ludimila do Nascimento Bassan

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Abnegação



Não, não estou fugindo
Para que me esconder
se é necessário me perder
para te ver sorrindo?

Seria esse abraço digno do meu afeto?
Acredito que seja culpa desse espaço
que aos poucos, passo ante passo
com o tempo, me trouxe mais para perto

Não procure tornar-me compreensível
Pois no minuto seguinte mudará de opinião
só não escreva de giz o meu nome no chão
Porque a tempestade apaga e me torna invisível

Não diga que eu sou linda
antes de dizer que me ama
porque na vida que lhe diz
o amor vem primeiro
antes de uma simples noite em tua cama

Não me confunda com outros amores
nem com outras paixões
Principalmente aquelas que trouxeram suas dores
Não valorizaram seus poemas e suas flores
e como refresco pingaram em teus olhos o suco de alguns limões

Há um certo tempo deixei de ser a menina do teu passado
Para dar lugar à mulher do teu presente
E se mesmo assim você não mais me enxergar em tua frente
Acredite que daqui pra frente, estarei sempre ao seu lado


Ludimila do Nascimento Bassan





quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dona Lourdes



    Após mais uma rotina cumprida, a menina retornava para o seu destino. Naquele dia em específico, o ônibus devia ter atingido a sua lotação máxima, não havia espaço para coisa alguma. Crianças no colo das mães, braços entrelaçados os quais com certa dificuldade esforçavam-se para equilibrar corpos que se encaixavam em espaços milimetrados. Cada pessoa que se levantava do assento desviava, em frações de segundo, todos os olhares dos passageiros que entreolhavam-se. Com o passar do tempo, ela acabou percebendo que existe uma hierarquia para a ocupação desses assentos:

  • Pimeiro os portadores de deficiência,
  • Segundo as mulheres que carregavam crianças no colo,
  • Terceiro as senhoras de rugas, que não precisavam, necessariamente, possuir alguns fios brancos na cabeça
  • Quarto, as muheres que não correspondiam às características anteriores,
  • E em último lugar, os estudantes, como ela.

    Nessa ocasião, um dos lugares estava vago, houve uma dessas trocas de olhares entre a menina e uma senhora silenciosa sentada no banco ao lado. Esse era o sinal, captado rapidamente pelos seus sentidos, sinal esse que a fez ocupar o assento até então vazio. Durante alguns segundos, a menina observou a expressão da mulher, ela parecia triste e solitária, mas não tomou nenhuma iniciativa, permaneceu em silêncio e sorriu para a senhora sentada que para o seu espanto, retribuiu o sorriso que pedia por alguns minutos de atenção e paciência.
    Quando a menina se deu conta, já sabia de toda a trajetória da mulher que dividia o espaço com ela. Seu nome era Lourdes, em cada traço, rugas e marcas desenhadas pelo tempo em sua face, havia uma história a contar que valia a pena ser ouvida por mais simples que fosse. Lourdes era separada e morava sozinha em um quarto nos fundos de uma casa, a guarda dos filhos ficou com o ex -marido no Paraná. A criatura à qual ela se referia com tanto carinho, seria considerada por muitos um ser desprezível e desprovido de qualquer sentimento, sendo ela o homem com quem fora casada por muitos anos. Durante os últimos 15 anos sentiu aquele vazio de uma mãe sem poder zelar pelos seus filhos.
    Além de comentar sobre a saudade que sentia da sua família, a mulher mencionou um homem que conhecera a pouco tempo que a tratava bem, que queria namorar com ela e tentar construir uma vida ao seu lado, mas ela tinha medo, medo de arriscar, de decepcionar-se novamente, depois de tudo o que passou e da perda mais preciosa que ela pôde ter. Em contrapartida, em seu íntimo, a menina tentava balancear os seus conflitos com a vida que Dona Lourdes teve e chegou à conclusão de que seus problemas são do tamanho de uma pulga, então, pela primeira vez percebeu que não estava sozinha no mundo, e que ele estava cheio de pessoas que também possuíam dificuldades para que fossem superadas.
    A menina admirou o prazer de viver estampado nas palavras da mulher que dividia o assento ao seu lado. Descobriu as maravilhas proporcionadas pela superação, constatando que dinheiro não é sinônimo de satisfação pessoal, mas sim tradução de consumo. E foi então que ouviu pela primeira vez uma senhora que devia ter seus 50 anos de experiência falando de amor, da necessidade que o ser humano tem de ser amado e dedicar-se a alguém e simultaneamente desejou viver baseada no amor.
    Em alguns momentos, a menina teve a impressão de estar conversando com uma de suas amigas colégio que falavam sobre sua paixão platônica, mas não, era uma mulher. Uma mulher? Para ela, todas as mulheres estavam acima dela, não sentiam medos, eram fortes e determinadas além de encontrarem-se no mesmo patamar de maturidade. Para a menina foi um choque entre pré conceitos e a realidade que acabara de presenciar.
    A mulher despediu-se, apertou a campainha e desceu as escadas seguindo o seu caminho. Não se sabe ao certo qual fora a escolha de Dona Lourdes depois daquela conversa que tivera com a menina da linha 1.54, mas com certeza, a menina sabia o que desejava a partir daquele dia: percebeu que precisa ter medo de arriscar, mas não por consequência do erro, mas para que não viesse a prejudicar ninguém ao seu redor. O medo é um termômetro de nossos momentos de loucura em função da vida real, se a temperatura está muito elevada a situação torna-se insuportável e se está reduzida ao extremo, perde-se melhor da vida. Por isso, a realidade não é de todo o mal e nem mesmo o que é comum, o que vale é saber regular o termômetro conforme o momento.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Obrigada pelo bolo!

  

    Acordei com uma vontade de fazer um bolo de chocolate, mas parece que na maioria das vezes em que desejos como esse aparecem, a cozinha dá logo um jeito de abduzir um dos ingredientes mais importantes da receita, e hoje foi a vez do leite condensado.
    Com o passar do dia acabei desistindo de fazer o bolo e minha mente praticamente apagou esse desejo que não teria qualquer oportunidade de ser colocado em prática, a não ser que alguém tocasse a minha campainha e fizesse um entrega super inesperada. Convencida de que essa opção não seria viável, acabei no msn (lugar onde as pessoas costumam se reunir para não fazer nada em conjunto, se bem que é algo ilusório...).
    Parece que o dia estava pedindo realmente um bolo, só não esperava que ele seria materializado no sentido conotativo da palavra. Quem nunca passou por uma situação embaraçosa como essa? Alguém faltar em um compromisso e te deixar lá plantada? No momento eu pensei que eu seria a pessoa mais zicada do mundo, mas acredito que não. Momentos como esse demonstram como a vida é doce e requer um pouco mais de leveza.
    Por esse motivo, eu observo, processo, compreendo, respeito, MAS NÃO ME FIXO NO MESMO LUGAR. Talvez o bolo que eu esperei durante toda essa terça-feira, tenha sido esse, para que eu pudesse perceber que a vida é uma inconstância, uma bipolaridade incompreensível, bem como a hipocrisia humana.
    Esse foi o bolo mais saboroso que alguém poderia me dar, tinha gosto de LIBERDADE!
  

domingo, 9 de janeiro de 2011

"bloco do eu sozinho"

"No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade"
Albert Einstein



    Recentemente, estava revirando meu armário e tive o grande prazer de encontrar, escondida em meio as caixas de sapato e alguma bonecas, minha caixa de cartas. Sentei no chão do quarto e comecei a lê-las. Esse momento poderia ter trazido recordações, lembranças e saudades, mas na minha opinião, ele trouxe consigo algo muito maior. Pude observar minha vida por quem enxergava algumas situações por outro ângulo senão o meu, enfim, foi um momento de grande conflito e reflexão com alguém, que hoje, após essa experiência, passou a conhecer-se melhor, a entender e respeitar seus limites, a não temer perante um momento que seja capaz de alterar o curso do seu planejamento, e, além disso foi possível compreender o que eu fui, o que eu sou e quem eu quero me tornar.
    Há algum tempo atrás, eu era feliz com coisas tão pequenas, na realidade, não eram as coisas que me importavam tanto, eram os momentos que eu vivia com as pessoas, sendo que esses mesmos momentos eram capazes de transformar uma saia em peruca, uns fios de barbante em colares e uma escova de cabelo em um microfone e PLIM! Como em um passe de mágica, lá estávamos nós em Paris em um grande show cujos ingressos haviam se esgotado.
    Ao retirar uma das cartas contidas na caixa, lá estava eu de frente para um garoto mais velho e de cabelos compridos me falando coisas bonitas e me fazendo acreditar que eu era a pessoa mais linda do mundo e PLIM! Lá perdeu-se minha infância, minhas bonecas, meus shows em Paris. Havia beijado o primeiro garoto da minha vida. Me lembro que nessa mesma época tive minha primeira frustração amorosa, que aconteceu menos de 24h depois de ser beijada...
    A partir desse dia, descobri o valor da amizade e passei a pensar que todos os homens que eu conheceria futuramente seriam completos idiotas.
    Em um pequeno bilhete: mudança de planos, arrumei um namorado no auge dos 14 anos. A família surtou, os amigos surtaram e ao final de 6 meses, a surtada era eu! PLIM! Percebi que os homens são semelhantes, trocam de mulher como trocam de roupa, ou seja, recentemente fui informada que esse namorado vai se casar com a minha vizinha... O que vocês pensariam no meu lugar?
     Após esse período não possuo registros em cartas. Mas, acredito que o maior aprendizado que eu pude ter durante esses 18 anos não estará contido em alguns papéis, que com o tempo se deterioram e viram pó, e sim em cada parte de mim, em cada característica adquirida, em cada atitude, em cada escolha...
     Muitas vezes já me pediram para que eu me definisse como pessoa, afinidades e todos aqueles blá blá blás e eu não consegui. Mas hoje, eu sei exatamente quem eu sou. Aprendi a organizar minha vida, meus planos, minhas metas e meus meios de atingi-las (só não entrem no meu quarto durante a semana!). Aprendi que para cada situação que as pessoas passam, existe um tempo, um momento e uma razão, na realidade nunca sabemos a razão, mas o momentos será definido de acordo com as escolhas realizadas por todas as partes envolvidas. Tudo bem, não disse quem sou eu ainda--'.
    Digamos que sou um retrocesso, rumo ao progresso. EXATAMENTE! Tudo o que eu vivi, foi responsável por tornar-me quem sou hoje, eu tenho a necessidade de parar, respirar e dizer CALMA! Olho para trás e percebo tudo pelo que eu passei, as minhas atitudes, revejo minhas decisões e escolhas, traço novas rotas, remanejo atalhos para continuar cometendo erros, e eu sei que isso é uma busca constante durante a vida, não só por mim Ludimila, mas por todos os seres da Terra, a busca pela perfeição é nítida em qualquer espécie espalhada pelo planeta. A diferença, é que de todos esses erros, pude tirar proveito e tudo me serviu como experiência. No entanto, admitir o erro, aprender com ele e remoldar os planos é um progresso para que futuramente não seja necessário retrabalhar o que um dia já foi feito em sinônimo de perfeição.
     
Posso ser:
*aquela que um dia você viu na rua, descalça de cabelo preso gritando "Passa a bola"
*aquela que subiu em um palco toda tímida para dançar ROUGE
*aquela que por várias noites sentou-se na sacada escrevendo algumas coisas que ela não mostra para qualquer pessoa
*aquela que sempre tirou nota baixa em matemática, mas sabe vender uma ideia
*aquela que já se prejudicou pelo prazer de ver alguém sorrindo
*aquela que você conversou no ônibus enquanto todos dormiam
*aquela que possui várias cicatrizes, mas a maior delas é imperceptível ao olhar humano
*aquela que vai jogar sinuca no bar só para acompanhar a amiga, porque na verdade ela nem gosta tanto de sinuca
*aquela que ama, incondicionalmente, inexplicavelmente e que está se sacrificando por um amor que ela sabe que é o único de sua vida, por entender e respeitar tudo o que aconteceu nos últimos 4 anos...
*aquela que sonha, que tenta demonstrar esse sonho desejando profundamente, apesar de todos os NÃO's que a vida lhe ofertou, que alguém os compre...

Essa sou eu... e nada mais

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