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domingo, 20 de novembro de 2011

EXTRA EXTRA ALICE MORREU!

   


    Dei a luz a uma menina linda e doce. A idealizei tanto em meus sonhos. De olhos fechados pude enxergar um quarto decorado em amarelo com detalhes em cetim branco, um lençol claro cheirando a Confort azul dava um ar de novo ao berço que um dia serviu a mim. Ainda sonhando abria a porta sorrateiramente para espiar seu sono, zelar por sua noite e observar como Deus é lindo visto de tão perto; neste momento é quando ela boceja e resmunga algo baixinho, quase que silenciosamente é como se chamasse por mim, e precisasse somente de mim naquele momento, mal sabia ela que quem necessita dela sou eu. Parece que foi ontem que eu a acalentei em meu braços, que a vi dar o primeiro passo, a largar a fralda; o primeiro dia na escola foi a primeira preocupação que eu tive porque não poderia protegê-la e não ouviria seu resmungar. Ai como eu sofri a primeira decepção amorosa dela, eu queria estar em seu lugar porque eu saberia exatamente o que fazer para não permitir que ela sofresse e se decepcionasse e evitaria que ela amaldiçoasse os homens de sua vida.ENTÃO, como de súbito me peguei acordada e percebi que involuntariamente havia abandonado ALICE: a defensora, protetora. Essa fui eu, nasci, cresci, aprendi com pessoas, tive meus porres, minhas noitadas (confesso que essas ainda se fazem presentes), me decepcionei com os homens e como me decepcionei! Mas hoje eles não me assustam mais...
      Ó céus ALICE FOI ENCONTRADA MORTA! Essa será a manchete de segunda-feira:  Bateu com as botas na madrugada de ontem, Alice, doce ilusão de um poeta subjugado pelos seus amores. Decidido a acabar com a fonte de sua inspiração, o jovem mascarado, por sentir vergonha de suas mentiras, matou a menina com um punhal cravado no peito, Alice não teve nem como se defender de um golpe tão duro e certeiro, a ela só restou a calçada fria durante a noite e ao poeta menino, mascarado por séculos, a fuga, o medo e a incerteza de como poderia ter sido se ele a tivesse mantido viva, para ser amada pelo povo. Ela seria a sua musa idealizada, o amor que se fez somente para ele, para ele e ninguém mais. Ó céus Alice está morta e eu Ludimila do Nascimento Bassan nem sei por onde começar...


Ludimila do Nascimento Bassan



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Mais uma aparição de Alice

Já dizia Alice: "a mulher é triste pela dor do parto"
Parto hoje sem qualquer destino
Parto agora sem o olhar do menino
Parto porque sei que a vida me deu algum sentido

Partiria mesmo se eu quisesse ficar
Parta e ria como se seu último dia fosse acabar
Para a pátria você só pode oferecer
Tudo aquilo que a pátria não tirou de você

Para ser mais sincero, a Alice é que sabe viver
Ela enxerga além dessa dor do parto
E se você ainda pensa que Alice é mulher
É melhor que reveja seja lá o conceito que você tiver
Porque ser Alice é muito mais, ela vai mais além
do que toda a hipocrisia que essa gente tanto quer

Ludimila do Nascimento Bassan

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Há algumas horas ela deixou para trás sua Alice
Como se nunca mais fosse encontrá-la novamente
Não da mesma maneira quando ela sorrisse
Nunca mais seria a mesma que ele tinha em mente

Sentia sua vida indo embora
Embora nunca tenha permitido sua partida
Permanecendo em sua janela de hora em hora
À espera de seu refúgio, certeza, saída

Mas vejam só como age a nossa coragem
Um dia duvidamos e ela resolve aparecer
Em um momento Alice era só imagem
E no próximo, algo a se esquecer

Alice sempre foi uma menina dada à loucura
Nunca souberam se um dia ela chegaria a voltar
A única certeza é que ela foi atrás do que procura
E assim, seguindo por  uma estrada escura
E assim, perseguindo aquilo que busca
 A longa estrada do sonho ela há de iluminar

Ludimila do Nascimento Bassan